domingo, 22 de setembro de 2013

Liberdade da alma


Acredita-se que estamos libertos do nosso físico quando deixarmos de existir. Então as correntes são quebradas e nos tornamos uma energia totalmente livre. Não necessitaremos mais de alimentos, do ar, da água, do dinheiro, pois nada disso fará mais sentindo. Estaremos libertos da sensação de frio, de calor, de raiva, de alegria. Teremos somente o alívio e a paz do mundo espiritual. Acho até que esse conceito espírita é muito válido. Esquecer das coisas mundanas e passar a viver no mundo astral de luz. 

Mas enquanto estamos fazendo parte da Terra temos que conviver com paradoxos e conflitos existenciais. E um deles é inegavelmente as correntes de nossa alma. Enquanto fomos "condenados" a viver em corpos físicos, nossas almas são obrigadas ao confinamento, presas em correntes da sociedade.

Correntes essas que não nos deixam mostrar quem verdadeiramente somos. Ficamos impedidos muitas vezes de mostrar nossas emoções e sentimentos. Como um castigo elas machucam e ferem levando a obrigatoriedade de seguir o que a sociedade nos impõem. As escolhas que temos são limitadas e padronizadas conforme conceitos da religião e das leis da coletividade. O grito do verdadeiro eu constantemente é abafado pelo som pesado da hipocrisia humana.

E com isso ficamos sem a nossa liberdade. O conceito liberdade não está só no direito de ir e vir. Mas está também na quebra das correntes impostas para que possamos amar como, quem e quando quisermos. Vestir o que é mais confortável ou mais bonito sem preocupação com modismos. Gritar, cantar para mundo nossa felicidade. Sentir e dar prazer sem a culpa ou a neurose que estamos praticando um ato ilícito. Despir-se de toda hipocrisia e falsidade. Ter o direito de ficamos momentaneamente um "maluco beleza". Sermos uma espécie de pacientes diagnosticados com transtornos psiquiátricos. Sem a necessidade de controles psicofármacos, mas com o único e principal propósito de alcançar a plena felicidade.



Eu talvez não seja compreendido por muitos. Alguns leitores podem até achar que estou ficando doido ou coisa assim. Mas na verdade somos sentenciados, acorrentados para vivermos harmoniosamente dentro da sociedade. Seguindo corretamente aos padrões incontestáveis. Não respeitando nossas opiniões individuais e nem nossos gostos, ela, a coletividade se torna feliz com a nossa infelicidade. 

Viver no mundo de Alice no país das maravilhas, ser um Peter Pan no mundo do Nunca com a único objetivo de vencer o capitão gancho, seria um sonho. Faz parte do imaginário que nos traz a delícia de ser criança. Como é bom ser criança. Se eu soubesse que ser adulto era complicado eu não torceria, na época, para chegar a vida adulta tão depressa. Estaria eu livre das correntes, e brincar e se divertir seria minha única preocupação. 

A chave para nos libertar do cadeado que segura as correntes foi jogada ao vento. Está solta e perdida no mundo. Precisamos ser hábil, corajoso e talvez sortudo para encontra-la. Mas não temos só essa possibilidade de sermos libertados. Possuímos um grande poder de dizer: Chega, quero ser feliz! Dita com todo fervor e com convicção nos libera de todo castigo, de toda prisão. Mas se o medo e o conformismo nos tomar seremos sempre vítimas, restando apenas a espera de um dia nos transformar em energia livre no mundo espiritual.