quinta-feira, 12 de setembro de 2013

O silêncio, a indiferença


Já ouviram aquela frase "antes um tapa do que o silêncio"? Ser indiferente e calar-se, com certeza é um dos maiores ou piores maldades que podemos aplicar ao alheio. Digo isso, porque já tive essa experiência, e posso dizer que não foi nada agradável.

Ter o silêncio como resposta no seu cotidiano é tornar a outra pessoa um nada, um ser desprezível.  O indivíduo que a pratica, torna-se irredutível e não se permite sequer ecoar um som de uma onomatopeia. Sentenciar a si próprio, introduzindo um fecho éclair imaginário nos lábios, bloqueando qualquer som que possa ser escutado pela pessoa a ser ferida.

E realmente fere-se, machuca-se. Um tapa talvez não abririam feridas tão profundas como o silêncio pode causar. A indiferença obstinada por motivos que não se justificam transforma qualquer relação em nada. Não há esparadrapo na alma que possa curar tal ato absurdo.

Sei que muitos vão dizer que vale mais o silêncio do que a discussão. Mas temos que ter o discernimento com as palavras. Por que as palavras são mágicas e depois que soltamos não tem como voltar à trás. E elas também ferem. 

A arte da taciturnidade, praticada regularmente, torna-se difícil qualquer relação. Praticamente impossível de conviver. Onde não há diálogo, não pode haver convívio.

Digo com propriedade, por que minha querida mãe é praticante dessa sinistra "arte". Não consigo falar de minha mãe sem esses episódios de silêncio. 

Quando minha mãe era tomada pela ira, fosse por qualquer motivo, silenciar era sua resposta. E permanecia assim por dias e meses. Lembro com muita lucidez que o tempo passava e aquele silêncio permanecia. 

Ela conseguia deixar um mau estar tão grande que todos em casa eram atingidos. Não escapava ninguém. Meu pai, meus irmãos, todos eram vitimas do seu silêncio. Da minha infância até o início da minha vida adulta fui praticamente obrigado a conviver com isso. Não sabe ela como me magoou muito. A indiferença da minha mãe me atingiu de maneira exorbitante. Acho até que eu deveria procurar uma terapia para me livrar desse trauma.

Exageros da minha parte? Talvez! Não sei bem! Só um terapeuta pode me dizer. Hoje eu escrevo com tranquilidade sobre o tema. Sobriedade e bom senso me tomam ao escrever. Graças a Deus, não herdei essa atitude silenciosa da minha progenitora. Exemplos mau dados não devem ser seguidos por ninguém, mesmo que eles venham dos nossos pais. 

Quero um dia poder esquecer esse episódio da minha vida. Fatos derradeiros que não agregam valores e só trazem o sofrimento devem ser esquecidos. Como eu disse para um amigo recentemente: "águas passadas não movem moinhos".

Uma bom dia a todos!!!!

Abraços